High concept é umtermo usado paradescreverqualqueridéia (geralmenteassociada a umfilme, mas cabe emqualquerconceito artistico) que pode ser detalhada de modosucintoem apenas uma premissa de poucas palavras. Diz-se, no âmbito do cinema, que seria umfilmemais “vendável”, justamenteporpossuirumapelouniversal e uma idéia facilmente assimilável.
Poroutrolado, no âmbito nerd, o high concept pode ser resumido com bastante simplicidade: é algo quevocê lê e de cara pensa: “Caralho, isso é fodasticamente sensacional!”
Tipozumbisnazistas. Zumbisnazistasnãosãofodasticamente sensacionais? O filmeemquestão existe, é norueguês e se chamaDead Snow. Não vou entrarnosméritos do filmeemsi (atéporque, na verdade, elenão tem nenhum), mas façamos uma punheta conceitualbaseada na amálgamazumbis + nazistas.
Emumsó simulacro foram imbuídos os doisconceitosque espelham o que há de maisvilanesco na cultura pop-farofa-de-massa americana. Cadáveres comedores de cérebros e a grande ameaça ariana. Comum pouquinho de punheta pseudo-intelectual de botequim (óbvioqueeunão estou sóbrio) percebemos, com supresa, que foi erguido o paradigma do antagonismo na cultura pop. Talvezapenas rivalizado porzumbiscomunistas e, maisrecentemente, zumbisterroristas.
E a conclusão é aindamaisgenial: existe umbanco de palavras, onde os high concepts borbulham, comoemumcaldeirão de idéias fodasticamente sensacionais, emquenosbastausar de amálgamas aleatórias para, instantaneamente, conceberidéiasfodasticamente sensacionais.
Duvida? Vamos começarpelomaissimples, enumerando algunsconceitossensacionaisempotencialque, individulamente, já possuem apelouniversal e são de fácilassimilação, a saber:
comunistas, piratas, ninjas e velociraptors.
Daí, imagine QUALQUERcombinação. E a sinopse do filmepouco importa. Quandovocê for alvejado por essa onda de fodice inabalável, o seusensocrítico será sobrecarregado e não poderá julgarfria e racionalmente o quevê, pormaisquevocê tenha lido os clássicos, Aristóteles, Platão, o cacete a quatro. Eu posso inventarqualquersinopsecompletamenteabsurdaquevocê vai continuar achando sensacional. Vamos lá, umexemplo:
Velociraptors piratas. É issomesmo, velociraptors piratas. Sinopse: depois de umacidenteimprovávelemum laboratório de pesquisassecreto na Irlanda, que obviamente incluiu umporre de rum montilla, o DNA de velociraptors, que estava sendo decifrado e clonado, é misturado com o DNA do eminente corsárioinglês Sir Francis Drake. Do nada, uma manada de velociraptors sai direto da câmaracriogênicaparaaterrorizar os setemares e capturarfragatas espanholas emnome da Rainha Elizabeth.
Outroexemplo:
NinjasComunistas.Quando a situação da ColunaPrestes se encaminhava paraumdesfechodramático e sangrento, Luis Carlos Prestes recebe uma inesperadaajuda do camarada Stalin: umninjacomunista, enviadoparatreinar os revoltosos brasileiros na arte do comunismoninja. Os comuninjas brasileiros partem para o confrontocontra as forças legalistas, fazendo uso de estratégias ardilosas, como longas filas, burocracia, leituras do Capitalempraçapública e pelos faciais assustadoramente abundantes.
Viu como é fácil? E essessãoapenasexemplossimples. O método de análise combinatória randômica paracriação de high concepts sempre vai funcionar.
O únicoproblema é quenão adianta nadaterumhigh concept na mão – nazistaszumbis – e fazerumfilmeque parece uma mistura de Power RangerscomTrapalhões – e semnenhum peitinho.
Filme de zumbisem peitinho, ondejá se viu...
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Ah, agora uma pausapara a atualização de notícias nerdquestianas. Não é novidade que eu sou relapso. Então: saíram algumas nerdquestices recentes por aí, que agora vou enumerar por aqui:
Resenha no site do Café, que é um baita jabázão porque ele é meu amigo desde os idos tempos de Santo Agostinho. Mas o jabá é válido e o site merece a *sua* visita, seu mané.
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De resto, até a próxima atualização. Se tudo der certo vai ser ainda esse ano.
Cool, deveras cool. Quem diria que depois de ser a vida toda achacado por tropas e tropas de valentões da escola, algum dia o rótulo nerd se tornaria cool. O corno que roubava o dinheiro do meu lanche – e hoje deve ser um professor de educação física careca – estaria se roendo de inveja, se não fosse um analfabeto funcional incapaz de ler algo mais complexo do que um placar de futebol.
Em algum momento vou escrever um texto sobre esse assunto, essa onda hype de Nerdpride. Tenho algumas considerações interessantes a fazer, mas preciso bolar duas dúzias de trocadilhos engraçadinhos pra esvaziar a credibilidade das minhas idéias. Odeio ser levado a sério.
Então, segue a imagem, pra vocês que ainda estão duvidando:
Eu sou o mané ali em cima, à direita. A reportagem está maneira mesmo, mas deixa eu registrar um protesto pra nerdizinha que tá ali, à esquerda. Mó gatinha e tal, mas PUTAQUEMEPARIU, que broxante, sair na foto lendoDC vs Marvel?? Em um jornal de circulação nacional?? DEUS ME FOCKIN LIVRE! Se a questão era aparentar ser nerd cool, que aparecesse lendo uma Superaventuras Marvel em formatinho com a Tropa Alfa na capa. Sério, ninguém merece DC vs Marvel. Aposto que ela tinha uma arma apontada pra cabeça. Ou something.
Vale lembrar que dá pra comprar A PORRA DO MEU LIVRO comigo. Vem com uma dedicatória amável e vários desenhos de passaralhos. Ou não, se você quiser eu desenho um Pikachu cigano, tudo ao gosto do freguês. Basta escrever pro meu adorável email, o afamado pedrogmvieira@gmail.com .
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Pois é, o negócio é capitalizar em cima desses quinze minutos de fama. Tô cobrando por hora pra mestrar GURPS. Terceira ou quarta edição. Sério, eu sou um mestre sinistro. Prometo não matar todo mundo na primeira hora de jogo, até porque eu cobro por hora, né?, que nem piranha. E sai mais caro pra mestrar D20, porque detesto sistema que parece jogo de computador. E Desafio dos Bandeirantes, Elric e Paranóia, com tarifas a combinar.
Tá bom, Gorda, Ary, aceito meu pagamento em cerveja.
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Então, o único livro que consegui ler inteiro nessas parcas férias foi o interessante A Mão que Cria, do Octavio Aragão. Não estou sendo péla saco porque o Octavio foi professor da Escola de Belas Artes (onde eu estudei em um momento negro e conturbado da minha vida), até porque ele não gosta de RPG. Quem não gosta de RPG bom sujeito não é, como diria o Ary.
Anyway, o livro é uma “ficção alternativa”. Um rótulo divertido pra um sub-gênero da ficção científica/fantasia, que envolve brincar com fatos históricos e literários e perverter a porra toda. Tipo um League of Extraordinary Gentlemen. Não é um simples “o que aconteceria se o Paraguai vencesse a Guerra do Paraguai”, é algo tipo “o que aconteceria se o Peru vencesse a Guerra do Paraguai com auxílio das Lhamas Mutantes do Dr. Moreau”. Sacou? O bagulho é extrapolação séria. Todos nós no Brasil estaríamos vestindo ponchos? Estaríamos bebendo pisco em vez de cachaça? As lhamas seriam o nosso único meio de transporte? Em vez de rodas de samba, teríamos índios com flautas tocando “Imagine”? Pois é, tem que ter cojones.
E no livro nós temos zumbis frankenstenianos (genial!) e o Aquaman do Dr. Moreau. É um tipo de literatura que demanda uma boa dose de pesquisa, e as referências são peça chave para “validar” as perversões impostas aos cânones históricos/literários.
Mas, colocando toda essa farofa pseudo-literária de lado, a melhor parte do livro são os zumbis.
Porra, colocar zumbi sempre é covardia. Ganha o meu coração na hora.
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O episódio insólito da vez fica por conta do meu irmão, o cara mais bonito do Rio de Janeiro depois de mim. É o seguinte, o rapaz é uma pessoa saudável, atleta, maratonista, 2% de gordura, não bebe e nem fuma e, ironicamente, tem o coração bichado. Bem feito, quem mandou ser saudável, éin?
O que aconteceu: o mané havia terminado um procedimento inofensivo (deram um boot no coração dele, e felizmente não precisou reinstalar nada), mas que exigiu que o pobre diabo fosse dopado de morfina até as orelhas. Acordando do procedimento, ele teve a pior bad trip de distúrbio de personalidade da história da humanidade.
Acordou aos berros:
“EU SOU OBINA! EU ENTRO NO SEGUNDO TEMPO PRA DEFINIR! OBINA NÃO PERDOA! OBINA DECIDE! PÓ’ DEIXÁ COMIGO!”
Isso durou alguns segundos realmente assustadores. Até que uma enfermeira jeitosinha entrou no quarto e ele voltou a si – e perguntou se não rolava um cafunézinho.
bjundas
(np: Muse - Knights of Cydonia, e o show é amanhã, yay!)
É, fiquei devendo o resto do relato das Crônicas de Paraty.
E, pra vocês não dizerem que eu sou moleque, aqui está um comedido resumo. Clica, porra.
E até com direito a imagem, pra quem não viu:
Pois é, tive a minha primeira experiência de pop star. Nunca tinha tirado foto fazendo pose no meio da rua. Foi constrangedor, mas deveras divertido. Sério, experimente. Comece enchendo a cara de cerveja, depois junte-se com mais 8 ou 9 amiguinhos e vá pro meio da rua. Enquanto um amiguinho (o que tiver o maior semblante de seriedade e a câmera fotográfica com mais pinta de profissa) tira as fotos, e dois amiguinhos ficam dirigindo e tomando nota, você e seus outros amiguinhos ficam posando blasêmente em alguma esquina bem movimentada. Aproveite pra fazer isso no meio de um evento de grande porte. Bingo. Vai ter um monte de mané parando pra tirar foto também. E perguntando: “de que país eles são?”, “qual novela tão filmando?” e você ainda vai ouvir “vou tirar foto de qualquer maneira, vai que alguém fica famoso aí?”.
Agora, sabe o que seria realmente maneiro? Se todo mundo estivesse fantasiado de zumbi. “Novos autores mortos-vivos reivindicam a imortalidade na FLIP”, não ia dar uma manchete foda?
Ainda mais no ano de centenário da morte do nosso Machado de Assis, o fundador da Academia Brasileira de Letras e, portanto, o primeiro imortal. Imortal my ass, a nova geração prefere a zumbificação à imortalidade. Interprete como quiser. HAHA.
Aproveitando a inspiração momentânea, segue esse belo vídeo que a Gorda me passou, o trailer de uma pérola chamada Revenge of theGangbang Zombies. Reiterando que sou tão a favor de gangbangs quanto sou a favor de zumbis.
Então, isso foi a FLIP. Comprei dois livros, um do colombiano que falou mal de todo mundo e outro da Zoe Heller, porque tava barato e eu fui com a cara. Conheci um poeta flamenguista (o que já é um indicativo da alta qualidade dos trabalhos do cara). Tomei mais cerveja do que deveria. Tirei poucas fotos. Vi o Neil Gaiman jantando e – ponderadamente – decidi não incomodá-lo. E é isso, de volta à vida real e, provavelmente, à escassez de posts. Ou não. Sempre é uma incógnita.