Domingo, Abril 26, 2009

Aventuras Fantásticas FTW!


Sensacional! Parece que uma editora pequena resolveu resgatar do limbo a coleção de livros-jogos Aventuras Fantásticas. A editora é a Jambô, especializada em RPG.


E eu pensava que algo assim nunca aconteceria. Soterrado pelo meu próprio pessimismo, podia apostar que as novas gerações de nerdizinhos eram bem mais suscetíveis aos atrativos coloridos e barulhentos de uma raid no Mundo de Warcraft do que a explorar a Montanha de Fogo, munidos de lápis e dados. Aliás, só o tempo dirá se esse relançamento converterá novos fiéis ou apenas trará orgasmos nerds aos fãs nostálgicos.


Mas se você – infiel imundo – não sabe o que eram os livros-jogos Aventuras Fantásticas, eu vou tentar explicar do modo mais não-didático possível, ou seja, a partir das minhas parciais recordações de pré-adolescente virgem.


Em tempos ancestrais, quando o RPG era tão desconhecido que não chegava nem a ser coisa do demônio e A Espada Selvagem de Conan era o máximo de publicação especializada em RPG que o mercado “oferecia”, as Aventuras Fantásticas reinavam supremas. O material de RPG em português era quase inexistente e eu passava maus bocados me digladiando com os suplementos de GURPS em inglês. Sem contar as traduções do Senhor dos Anéis e Dragonlance em português de Purtugal. Ah, quanta nostalgia.


Mas, naquela época, se você queria ter uma experiência rpgística e não tinha um grupo a sua disposição, não iria perder seu precioso tempo com WOW, esse vício sebento. Você iria comprar uma Aventura Fantástica em qualquer livraria.


O meu ritual era quase o mesmo de uma sessão de RPG. Eu me sentava à mesa, preparando cuidadosamente o material de jogo: um lápis, borracha, a Folha de Aventuras do meu personagem e dois pares de dados (um para mim e outro para os inimigos, claro - acha que eu ia dar esse mole e usar os meus dados pros monstros?). Pegava um pacote de biscoitos recheados e uma garrafa de Coca Cola (o então equivalente a cerveja e amendoim) e mandava ver. Não descansava até chegar ao famigerado parágrafo 400.


E roubava muito. Óbvio, eu queria me convencer de que não estava roubando, tinha escrúpulos. Mas porra – não tinha ninguém olhando! Era eu quem decidia quando um lance de dados espelhava, e isso era muito poder para um pré-adolescentezinho misantropo metido a besta.


Sem contar que naquela época eu não conhecia o conceito de sincretismo de regras de RPG, algo que hoje eu faria sem pudor. Ia sair incorporando modificadores de hit location e multiplicar qualquer dano por 3 – “porra, acertei, dano de perfuração nos órgãos vitais!”. Sem contar que agora eu só começo a fazer testes pra ver se não morro quando a minha Energia chegar ao negativo. E por que não ter Sorte negativa? Ou usar saving throws sempre que for necessário? Sei lá, as regras tinham que ser mais flexíveis. Eu quero usar o meu herói com super-força de Encontro marcado com o M.E.D.O. no Calabouço da morte. Não posso? QUEM VAI ME IMPEDIR? O Steve Jackson vai vir me dar porrada e me chamar de putinha suja?


Ok, ok, just being a bitch.


Voltando ao assunto inicial, estou radiante de felicidade porque finalmente poderei recomprar alguns dos livros que emprestei e, pobres coitados, nunca encontraram o caminho de volta pra casa (a saber: O feiticeiro da montanha de fogo, Encontro marcado com o M.E.D.O. e Prova dos campões).


Ah, e tem outra coisa – renovarei os primeiros votos de substancial importância que fiz em toda minha vida: zerar A nave espacial Traveller. Tenho o fantasma desse fracasso me atormentando desde aquela fatídica tarde de 1993 e não quero isso pro resto da minha vida. Perdi a virgindade, passei no vestibular, me formei, vi o quarto tri do Mengão, passei no vestibular (de novo), publiquei meu primeiro livro, mas em nenhum momento qualquer conquista foi plena. Em nenhum momento pude celebrar algo sem que estivesse com isso pesando em minha consciência: Nave espacial Traveller.


Eu ainda vou zerar essa merda.


E lembrando que os primeiros jogos de RPG que eu mestrei (e que joguei) na vida foram do RPG – Aventuras Fantásticas, um livreto que vinha com duas aventuras bem básicas: dungeons safadas na acepção mais true do termo, com dragões e magos malignos. Antes de GURPS. Antes de AD&D. E que mais tarde foram expandidos com vários suplementos. Mestrei uma campanha de Gurps por alguns anos no mundo de Allansia (o mundo onde os livros-jogos de fantasia se passavam), da qual tomaram parte a Gorda, o Ary, o Café e muitos outros manés que não comiam ninguém (alguns ainda não comem, inclusive).


Pensando bem, se o meu pai quisesse processar alguém por eu não ter me tornado o atleta comedor de mulheres que ele sempre idealizou, está aí o culpado: Aventuras Fantásticas. RÁ!


Vou ali tatuar minha testa com um unicórnio branco dentro de um sol radiante, que é o repelente padrão de zumbis e necromantes, e assim terminar A Cidade dos Ladrões (fatão que o nível de breguice contava pra potencializar as tatuagens mágicas).


Bis dann!


P.S.- sem contar que no meu próprio livro (o Nerdquest, vocês sabem) tem citação a Aventuras Fantásticas e especialmente ao maldito Nave espacial Traveller.


P.S 2 – E em meu próximo livro (de contos, caso porventura venha a ser publicado) terá um conto-jogo sobre pegação na night.


(O Ary colaborou com esse post via msn. Ele também não zerou A nave espacial Traveller, mas conseguiu terminar meu conto-jogo sobre pegação na night. Não que ele seja bom nisso.)

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Quarta-feira, Abril 22, 2009

Tolkien saiu do armário (?)

Aproveitando a falta de assunto e os feriados insanos em dias alternados, escrevo mais um postizinho caô com comentários de livros. Porém, desta vez, longe de ser mais um bando de comentários aleatórios amontoados ao acaso, este será um post específico sobre fantasia e ficção cientifica nacional (sim, isso existe), com coisas que li recentemente e coisas que li há algum tempo.

Ah, vale lembrar que já comentei sobre um livro de FC nacional por aqui, alguns posts atrás, o A mão que cria, do Octávio Aragão. O próprio autor se amarrou tanto nos comentários que me confidenciou estar escrevendo um romance sobre as Lhamas Mutantes Ninjas Adolescentes do Dr. Moreau.*

O arqueiro e a feiticeira, da Helena Gomes, é o primeiro volume de uma série. Sempre tive curiosidade de ler, mas só resolvi arriscar depois que vi o livro vendendo em um sebo. Infelizmente, não consegui passar da primeira frase.

A primeira frase é “Tolkien entrou na caverna”.

TOLKIEN. ENTROU. NA CAVERNA.

Até que seria maneiro se o personagem principal fosse o Tolkien (estilo Riverworld). Mas não, é uma homenagem mesmo. Sério? Tão sutil que eu quase nem notei. No way, dude, não dá pra levar na boa. Quando eu, com 13 ou 14 anos, escrevia minhas primeiras histórias, baseadas em aventuras de RPG estilo matar-trucidar-dividir itens mágicos, o grupo de personagens sempre era algo como Tolkien, Wolverine, Renato Gaúcho e Darth Vader, eu me amarrava em homenagens. Mas, tipo, existem maneiras mais sutis de prestar homenagens, cara. Pelo que eu entendi, o personagem só aparece no prólogo. Eu retomei a leitura em um capítulo seguinte, mas, a cada página virada, a sombra de Tolkien pairava sobre a trama. E se da próxima vez Tolkien acompanhasse C. S. Lewis? E se eles fizessem uma tocaia pra tentar emboscar o Michael Moorcock? Medo.

(Na verdade, isso acaba de me dar idéia pra um conto surreal)

Brincadeiras à parte, eu li alguns capítulos e cansou rápido. Tem algo a ver com órfãos e ciganos. Prometo algum dia dar outra chance ao livro. Ou não.

Viagem a Trevaterra, do Luis Roberto Mee, de 1994, é um livro que vários proto-nerds leram. Da época em que O senhor dos anéis era encontrado naquela versão de capa preta portuguesa (a que eu tenho, btw), que Tanis era um semi-duende e a referência em filme de fantasia era Conan, o Bárbaro, e não a bicha do Orlando Bloom com suas madeixas de cocker spaniel.

De repente, dar de cara com um livro de fantasia de um autor nacional era quase como se tivessem clonado um tiranossauro. Eu li o livro mais de uma vez, mas o meu cérebro juvenil reteve pouco. A idéia de um mundo onde existe um reino sem noites e um reino sem dias é de uma ingenuidade sensacional. E, ainda mais adequado ao conceito de fodice na minha mente púbere rpgística era o envio de uma party de heróis para roubar as sementes que seriam usadas no “plantio” de noites.

Admito que tenho um baita medo de a Regra dos 15 anos se aplicar, mas lerei o livro novamente em algum momento. Até porque tenho a continuação (Crônica da grande guerra, de 1995), presenteado e assinado pelo próprio autor. Brrr.

(Sim, esse é um parentêsis inusitado. O autor é amigo de um amigo de infância do meu pai, coisa que eu fui descobrir há alguns poucos meses. Muito boa gente. O restante da sua saga de fantasia, que começou com o Trevaterra e tem cinco livros, está concluído, porém tristemente engavetado – uma vez que ninguém parece se interessar por editar, infelizmente)

Os sete, do Andre Vianco. Resolvi descobrir qual é a do cara e comprei logo o livro mais famoso dele em uma dessas promoções do submarino.

Quando você começa a falar do livro se explicando que só comprou porque estava em promoção é um mau sinal, não? Right. O pior é que eu sequer tenho argumentos para debater, porque não consegui transpor a barreira das 20 páginas (aliás, que já começam contando a história de vida mega-piegas de um dos protagonistas). Talvez seja a minha antipatia inata por histórias de vampiro, culpa das baboseiras que eu me forcei a ler da Anne Rice e da histeria Crepúscula. People, vampires suck. Zombies are the new shit. Prevejo que vai aparecer alguém, vindo com o mimimi clássico de que eu estou com invejinha. O que não deixa de ser verdade. Portanto, sintam-se à vontade.

Agora, a hora do jabá!!

Exageros à parte, só digo que é “hora do jabá” porque conheço os autores dos livros seguintes, graças à vida boêmia da internet. Mas como ninguém está me pagando pra falar bem, tenho total liberdade pra espinafrar geral até o cu fazer bico!

O que não é exatamente o caso.

Anacrônicas – Pequenos contos mágicos, Ana Cristina Rodrigues. Um livreto curto (talvez curto demais) com coisas bem interessantes e outras nem tanto, mas que não comprometem um saldo final positivo. Vamos aos detalhes.

Tanto o conto de abertura quanto o que encerra o livro (É tarde e Apocalipse now) são ótimos. No recheio, contos bem interessantes, com algumas belas imagens (Princesa de toda a dor, Como nos tornamos fogo, Baile das máscaras) e outros que não parecem “dizer ao que vieram” (O senhor do tempo, Feitiço sem nome, Lenda do deserto), pois - na minha humilde opinião - falta um pouco daquele “punch”, no sentido da famosa analogia do Cortázar (que eu não vou reproduzir aqui pra não correr o risco de parecer inteligente).

Ainda em alguns contos encontramos excelentes idéias que gritam, exclamam e suplicam por um desenvolvimento mais aprofundado, tipo A casa do escudo azul (em uma Terra pós-apocalíptica em reconstrução, um indiana jones de saias caça relíquias da cultura pop, tipo exemplares do Harry Potter ou do Nerdquest **), que poderia muito bem ser um conto maior ou mesmo uma série de contos. Anyway, como eu disse antes, o saldo é positivo e é uma empreitada louvável. Para mais info e comprar o livro: Blog da autora.

Fome, Tibor Moricz. Fome trata de uma terra pós-apocalíptica onde o bicho realmente pegou. A civilização ruiu e a vida animal foi extinta. Os poucos humanos que sobraram recorreram ao bom e velho canibalismo para sobreviver em um mundo envenenado. Muito foda, não? E o resultado final é bem legal. A única coisa que me incomodou ao longo do livro foi a insistência do autor em “perturbar” e de passar o clima de angústia e corrupção que permeia o cenário. Acaba meio repetitivo, como se cada conto apresentasse o cenário do zero, daí uma perda de fôlego considerável após a primeira sequencia de contos. Mas isso não tira o mérito do livro, que constrói muito bem um climão tenso, desembocando em um final apoteótico. O ponto positivo vai pra Tarja Editorial, por ser uma editora que está mergulhando de cabeça nesse dúbio terreno de publicar fantasia e sci-fi. E o ponto negativo também vai pra Tarja Editorial, pela encadernação xexelenta do livro. Se alguém me pedir emprestado, posso até separar os contos por fascículos ou selecionar só os que eu gostei. Bom, acesse o site da editora para mais info e comprar o livro!

É isso ai, putada. É bom saber que existe vida inteligente na fantasia e FC nacional. Ao contrário da literatura nerd, que só tem tosqueira.

Bjundas.

* Isso é mentira. Eu invento coisas.

** Isso é mentira também. Mas vocês já sabem que eu invento coisas.

Domingo, Abril 12, 2009

Zumbis nazistas & velociraptors piratas

High concept é um termo usado para descrever qualquer idéia (geralmente associada a um filme, mas cabe em qualquer conceito artistico) que pode ser detalhada de modo sucinto em apenas uma premissa de poucas palavras. Diz-se, no âmbito do cinema, que seria um filme mais “vendável”, justamente por possuir um apelo universal e uma idéia facilmente assimilável.


Por outro lado, no âmbito nerd, o high concept pode ser resumido com bastante simplicidade: é algo que você lê e de cara pensa: “Caralho, isso é fodasticamente sensacional!


Tipo zumbis nazistas. Zumbis nazistas não são fodasticamente sensacionais? O filme em questão existe, é norueguês e se chama Dead Snow. Não vou entrar nos méritos do filme em si (até porque, na verdade, ele não tem nenhum), mas façamos uma punheta conceitual baseada na amálgama zumbis + nazistas.


Em um simulacro foram imbuídos os dois conceitos que espelham o que há de mais vilanesco na cultura pop-farofa-de-massa americana. Cadáveres comedores de cérebros e a grande ameaça ariana. Com um pouquinho de punheta pseudo-intelectual de botequim (óbvio que eu não estou sóbrio) percebemos, com supresa, que foi erguido o paradigma do antagonismo na cultura pop. Talvez apenas rivalizado por zumbis comunistas e, mais recentemente, zumbis terroristas.


E a conclusão é ainda mais genial: existe um banco de palavras, onde os high concepts borbulham, como em um caldeirão de idéias fodasticamente sensacionais, em que nos basta usar de amálgamas aleatórias para, instantaneamente, conceber idéias fodasticamente sensacionais.


Duvida? Vamos começar pelo mais simples, enumerando alguns conceitos sensacionais em potencial que, individulamente, possuem apelo universal e são de fácil assimilação, a saber:


comunistas, piratas, ninjas e velociraptors.


Daí, imagine QUALQUER combinação. E a sinopse do filme pouco importa. Quando você for alvejado por essa onda de fodice inabalável, o seu senso crítico será sobrecarregado e não poderá julgar fria e racionalmente o que , por mais que você tenha lido os clássicos, Aristóteles, Platão, o cacete a quatro. Eu posso inventar qualquer sinopse completamente absurda que você vai continuar achando sensacional. Vamos , um exemplo:


Velociraptors piratas. É isso mesmo, velociraptors piratas. Sinopse: depois de um acidente improvável em um laboratório de pesquisas secreto na Irlanda, que obviamente incluiu um porre de rum montilla, o DNA de velociraptors, que estava sendo decifrado e clonado, é misturado com o DNA do eminente corsário inglês Sir Francis Drake. Do nada, uma manada de velociraptors sai direto da câmara criogênica para aterrorizar os sete mares e capturar fragatas espanholas em nome da Rainha Elizabeth.


Outro exemplo:


Ninjas Comunistas. Quando a situação da Coluna Prestes se encaminhava para um desfecho dramático e sangrento, Luis Carlos Prestes recebe uma inesperada ajuda do camarada Stalin: um ninja comunista, enviado para treinar os revoltosos brasileiros na arte do comunismo ninja. Os comuninjas brasileiros partem para o confronto contra as forças legalistas, fazendo uso de estratégias ardilosas, como longas filas, burocracia, leituras do Capital em praça pública e pelos faciais assustadoramente abundantes.


Viu como é fácil? E esses são apenas exemplos simples. O método de análise combinatória randômica para criação de high concepts sempre vai funcionar.


O único problema é que não adianta nada ter um high concept na mãonazistas zumbis – e fazer um filme que parece uma mistura de Power Rangers com Trapalhões – e sem nenhum peitinho.

Filme de zumbi sem peitinho, onde se viu...


*


Ah, agora uma pausa para a atualização de notícias nerdquestianas. Não é novidade que eu sou relapso. Então: saíram algumas nerdquestices recentes por aí, que agora vou enumerar por aqui:


Resenha/entrevista no blog Melhores do Mundo, um site que entende de nerdice como poucos.


Resenha e entrevista no site de resenhas Resenhando.


Resenha no site do Café, que é um baita jabázão porque ele é meu amigo desde os idos tempos de Santo Agostinho. Mas o jabá é válido e o site merece a *sua* visita, seu mané.


*


De resto, até a próxima atualização. Se tudo der certo vai ser ainda esse ano.


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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Heaven can wait... ou não.

Pois é, tem religião por aí que promete um paraíso com hordas de virgens ninfomaníacas esperando por você (sem revelar em detalhes se elas entrariam em TPM juntas). De onde esses caras tiraram essa idéia de paraíso? Na moral, eu não sei se hordas de virgens (mesmo que ninfomaníacas) sejam exatamente a *minha* idéia de paraíso.

Resolvidos a chegar a uma conclusão rápida e satisfatória sobre o assunto, travamos um ponderado debate pré-cerveja carnavalesca via msn e chegamos à seguinte conclusão:

(Reproduzo o debate na íntegra, para que vocês possam acompanhar como é a genialidade em seu mais pleno funcionamento
)

Imrahil, Filho de Adrahil, Principe de Dol Amroth says:

Só tem quatro coisas que eu gosto mais do que dinossauros: mulher, cerveja, zumbis e megatherions.

Mr. Fitzwilliam Darcy says:
é, mas isso é o que todo homem saudável e intelectualmente privilegiado deve pensar, eu creio

Mr. Fitzwilliam Darcy says:
com uma ou outra sutíl diferença

Imrahil, Filho de Adrahil, Principe de Dol Amroth says:
mulher poderia ser "suicide girls"

Mr. Fitzwilliam Darcy says:
e cerveja tb poderia ser especificado, pra q a escória não ache q a gente está falando de skoll

Mr. Fitzwilliam Darcy says:
a eskóllria (HAHA, sou tão eficiente com trocadilhos)

Imrahil, Filho de Adrahil, Principe de Dol Amroth says:
HAAHHHAHAHAH

Mr. Fitzwilliam Darcy says:
zumbis são sempre zumbis, não tem o q mexer aí

Imrahil, Filho de Adrahil, Principe de Dol Amroth says:
o que resume,

Imrahil, Filho de Adrahil, Principe de Dol Amroth says:
o Céu então seria uma luta entre duas suicide girls zumbis, uma montada num megatherium, outra num triceratops, e eu assistindo, bebendo cerveja belga, e isso POR TODA A ETERNIDADE

Mr. Fitzwilliam Darcy says:
porra, tive uma ereção



Aproveitem o carnaval. Estarei perambulando por aí com uma bolsa térmica abastecida de heinekens ou stellas. Ou não.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

X-Macbeth

- E aí, cerveja mais tarde? Bar do Anão?

- Não róla, tenho que estudar. Prova sobre Macbeth amanhã.

- Porra, Macbeth é ridículo! Deixa de ser sóbrio!

- Num fode.

- Sério, eu desenvolvi um método pra compreender perfeitamente qualquer obra literária do cânone ocidental.

- Claro que desenvolveu. Então?

- É só comparar tudo com X-Men.

- Ahm. Tu já ta bêbado? Sabe que horas são?

- Sério, vai lá, compara aí. Vai por mim. Funciona.

- Beleza. Isso pode ser divertido.

- Sempre é.

- Bom, o Macbeth tem que ser o Ciclope. É o soldado perfeito, voltando da guerra, vitorioso e bem sucedido. Está prestes a ser promovido a Thane of Cawdor.

- Hã?

- Ok, líder dos X-Men.

- Agora sim.

- A Lady Macbeth, obviamente, é a Jean Grey. Mas, possuída pela Fênix Negra, ela envenena os ouvidos do Ciclope, persuadindo ele a cometer o assassinato do rei, ops, do Professor Xavier.

- O Ciclope nunca mataria o Professor Xavier assim, de bobeira.

- É, mas tá aí a graça. Quando ele tá voltando da guerra, o Ciclope encontra as Três Bruxas...

- Ein?

- Três Bruxas com poderes de ver o futuro...

- Fácil essa. Deixa eu te ajudar. Três Bruxas precogs podem ser..., sei lá, a Sina, a Feiticeira Escarlate e o pintor do Heroes. Então?, continua.

- Bom, elas vêem o futuro do Ciclope, dizem que ele se tornaria rei, ops, diretor da Escola Xavier. E ele fica boladão e tudo mais, né, deduzindo que para isso ia ter que matar o atual diretor. Só que eu concordo com você, ele nunca faria isso assim, de bobeira.

- Aí que entra a Fênix Negra.

- Isso. Ela dá uma prensa nele. Diz que ele tem que ter atitude, tem que ser o machão da parada. Matar o rei, porra.

- Não dá pra dizer não pra Fênix Negra. Mó ruivona gostosa de colante e tal.

- É, esse ponto é auto-explicativo. Ruiva. Colante.

- E aí?

- Acontece que a Fênix vai recuperando os sentidos e volta à personalidade de Jean Grey, ela não consegue viver com o fardo de ter tomado parte no assassinato do Xavier.

- Claro que não consegue. Ela destruiu um planeta inteiro quando estava doidona, eu lembro. Deve rolar um remorsinho. E depois...?

- O que você acha?, não leu a Saga da Fênix Negra? Ela se mata, porra. No meio do cerco do castelo.

- Ah, mas é claro. A Jean se desintegra, quando róla aquela porradaria com a Guarda Imperial Sh’iar.

- Caralho, mané, não é que está funcionando?

- Porra, você precisa estudar mesmo?

- Putz, Shakespeare é moleza, queria ver minha professora explicar a cronologia dos X-Men.

- E, cá pra nós, Dias de um Futuro Esquecido deixa qualquer Macbeth no chinelo.

- Demorou tomar cerveja. Que horas no Bar do Anão?


(Diálogo realmente inspirado em uma conversa de msn. Só conheço gente maluca)

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Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Absolution


A Mojo Books é uma editora que publica e-books baseados em discos. É uma proposta bem interessante, com resultados cheios de altos e baixos, evidentemente. Bom, não estou fazendo propaganda porque andaram me mandando brindes, e sim porque a Mojo recentemente publicou um conto meu, baseado no disco Absolution, do Muse, e que você pode baixar no link abaixo, é digratís:

http://www.mojobooks.com.br/mojo_inteira.php?idm=175


Bom fim de ano a todos e divirtam-se. Afinal, alguém tem que se divertir enquanto a UERJ suga a minha vida em pleno verão. E se me permitem sugerir, dêem Nerdquests aos amigos e parentes nesse Natal. (Bom, eu não podia perder essa chance).

Bjundas!


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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Uma enxurrada de não-novidades

Este é um post cheio de não-novidades. Estava tão ansioso para não-contar todas essas não-novidades que nota-se como o post veio tão surpreendentemente não-rápido.


Graças à minha falta de assiduidade em atualizar essa joça, venho sendo sistematicamente espinafrado por onde quer que eu ande (o que significa no bar do anão e no caminho entre a minha casa e o bar do anão).


(Se bem que também fui espinafrado hoje de manhã cedo indo pro trabalho, oh a repressão!)


Para acalmar vocês, estou fazendo um não-post. Não usufruo de tempo hábil para escrever algum textinho divertido e entretê-los. Não tenho novidades sobre o livro – que livro? Então, esse post é realmente inútil.


Mas, como eu sou um cara realmente legal, vou tentar enchê-lo com algumas abobrinhas, pra que vocês não peçam seu dinheiro de volta.

*

Pra quem não sabe, eu estudo na UERJ. Falo mal dela o tempo inteiro, mas gosto daquela merda, admito. E, aproveitando que estamos em greve, reivindicando implantes de pênis de 25cm pra todos os alunos integrantes da cota para alunos de pau pequeno (eba, demorou!), tive tempo de ler Coisas Legais.


Tipo Crooked Little Vein, o romance do (escritor de HQs) Warren Ellis. O Ellis tira um sarro com toda essa onda de conspirações e ainda sacaneia o conservadorismo paranóico americano. É a história de um detetive loser, contratado pra procurar a constituição de backup dos EUA - os Founding Fathers teriam escrito uma constituição “reserva”, extremamente conservadora, para garantir que as coisas voltassem pros eixos se saíssem “errado” (e os políticos conservadores americanos julgam que sim, as coisas tinham saído errado). Qualquer um com um fraco para bizarrices sexuais vai rolar de rir (pense em juntar as palavras bukkake e Godzilla na mesma expressão e você saberá do que estou falando).


Li também Cabeça Tubarão, de Steven Hall, outro livro foda. Um cara tem as memórias devoradas por um tubarão conceitual feito de idéias. Porra, genial. Pena que a tradução (da Companhia das Letras) dá umas vaciladas feias. Tipo, esse é o único livro onde você vai encontrar uma equipe de médicos que pesquisa a Teoria das Cordas. Physicist, physician – tem uma aulinha na Cultura Inglesa sobre essas coisas, os tradutores conhecem como falsos cognatos, you know.


E, pouco antes de começar a greve, eu tinha lido Everything You Know, da Zoe Heller, e também achei foda. Fácil de ler, recheado de ironia e humor nigérrimo.

*

Ah, vou admitir uma parada aqui. Eu me procuro no Google. É patético. Se eu ganhasse uma cerveja pra cada vez que me procurasse no Google, nunca mais habitaria o mundo dos sóbrios novamente. Mas o legal é que volta e meia eu vejo alguém em algum blog comentando que quer ler o Nerdquest. O meu apelo é LEIAM! Mas antes, COMPREM! E, de preferência, comigo (que inclusive sai barato e vem com dedicatória). Tem duas caixas de livro aqui em casa. Esperando por vocês, leitores em potencial.


Fica aqui o link para um blog legal em que rolou uma resenha surpresa.


*


Enfim, meu cachorro lhes destila todo o seu escárnio, mostrando a língua:



Até a próxima, ou não! Bjundas!


(np: Coldplay - Cemeteries of London)


Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Nerdquestices e afins

Contra todos os prognósticos, estou postando novamente em menos de um mês! Yay!


Eu andava sendo negligente com a responsabilidade de atualizar as notícias nerdquestianas. Vou corrigir isso e ainda, de quebra, acrescentar algumas abobrinhas pra encher lingüiça. Nada fora do comum.


Bom, dei duas entrevistas recentemente, a primeira foi pro Portal Rock Press e a outra para o UOL Jovem. Em ambas eu acabo tocando nos mesmos assuntos, mas eu fiz questão de usar piadas infames diferentes em cada entrevista, por isso vale a pena ler as duas. As duas matérias ainda vêm com resenhas, de brinde, o que é muito legal pra quem não conhece o livro. Seguem os links:


Matéria no Rock Press.


Matéria no UOL Jovem


No UOL, ainda dá pra ler um trecho do livro.


E, dentro do meio “nerd”, ganhei uma feliz resenha no site Homem Nerd, que não vou reproduzir aqui, portanto, acessem:


http://www.homemnerd.com/resenha.php?id=5404


*


Sempre que eu vejo meu nome associado à palavra “escritor”, eu tenho acessos de riso involuntários, meio Beavis & Butthead. Tipo quando um pré-adolescente lê uma piada sobre peitos.


É, não sei se isso vai passar.


*


Recebi alguns emails perguntando onde o livro pode ser encontrado. Pode ser encontrado comigo, claro. Basta entrar em contato por email: pedrogmvieira@gmail.com. Mas eu entendo perfeitamente a comodidade que uma loja online oferece, por isso não vou ficar magoado com quem comprar online. Segue uma lista carinhosamente compilada pela Gorda:


Na Cia dos Livros:
http://www.ciadoslivros.com.br/descrica o.asp?cod_livro=VI4288&origem=buscape&or igem=buscape

Na Livraria da Travessa:
http://www.travessa.com.br/NERDQUEST/ar tigo/a037444b-f0f9-4065-abff-723dae15717 8

No site da Editora 7Letras:
http://www.7letras.com.br/detalhe_livro /?id=640

Na Saraiva:
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/produto.dll/detalhe?pro_id=2589122&ID=42F947A77D8071101030B1051


Se eu esqueci algum, por favor, avisem.


Agora, não me perguntem sobre pontos de venda físicos. A física é para os fracos.


*


E o melhor livro de todos os tempos da última semana é Virgínia Berlim, de Luiz Biajoni.


Comprei o livro por indicação (que na verdade foi quase uma exigência) da Gorda no ano passado, e ele ficou rolando aqui em casa. Passou uma temporada descansando na minha eterna pilha de coisas pra ler, depois sumiu entre um tanto de revistas em quadrinhos da Marvel e, por fim, encontrou um cafofo, camuflado na minha estante, entre uma edição das Crônicas de Narnia em alemão (Die Chroniken von Narnia) e o meu Memórias Póstumas de Brás Cubas nojento da Martin Claret.



O que importa é que eu peguei pra ler ontem, com o meu ceticismo costumeiro (que não se aplica no caso de zumbis ou dinossauros, por exemplo. Nada a ver, anyway). Passei as primeiras páginas matutando “o que será que a Gorda viu nessa porra?”, e logo logo descobri. Enquanto uns livros parecem específicos praticamente pra um só público, outros, por outro lado, parecem ser específicos pra uma só pessoa, e isso é o que mais importa quando a tal pessoa é você.


E eu duvido que você também não se identifique com Virginia Berlim, seu mané.


O livro está mais para um conto, e não digo isso devido às suas econômicas 44 páginas. Se pensarmos na clássica analogia do Cortázar, na qual, em uma luta de boxe, o romance deve vencer o leitor por pontos, enquanto o conto o vence por nocaute, Virgínia Berlim, mesmo com seus defeitos, é um belo nocaute - com direito a fatality.


Veja:

- Os comentários da Gorda sobre o livro.

- O blog do autor

- E, finalmente, compre! Sério, não me peça emprestado.


*


É isso aí. A UERJ voltou às aulas e minha vida de estudante-universitário-depois-de-velho recomeçou. Chega de ser pseudo-celebridade.


E, por último, alguém ouviu o cd novo do EXTREME? Ein, ein?


bjundas!


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Terça-feira, Julho 29, 2008

Nerdpride, rapá

Ok, quando o Andy Warhol falou aquele parada sobre 15 minutos de fama, eu nunca imaginei que teria os meus. Yay! Minha ilustre participação abrilhantou a recente reportagem do Megazine sobre Orgulho Nerd.

Cool, deveras cool. Quem diria que depois de ser a vida toda achacado por tropas e tropas de valentões da escola, algum dia o rótulo nerd se tornaria cool. O corno que roubava o dinheiro do meu lanche – e hoje deve ser um professor de educação física careca – estaria se roendo de inveja, se não fosse um analfabeto funcional incapaz de ler algo mais complexo do que um placar de futebol.

Em algum momento vou escrever um texto sobre esse assunto, essa onda hype de Nerdpride. Tenho algumas considerações interessantes a fazer, mas preciso bolar duas dúzias de trocadilhos engraçadinhos pra esvaziar a credibilidade das minhas idéias. Odeio ser levado a sério.

Então, segue a imagem, pra vocês que ainda estão duvidando:


Eu sou o mané ali em cima, à direita. A reportagem está maneira mesmo, mas deixa eu registrar um protesto pra nerdizinha que tá ali, à esquerda. Mó gatinha e tal, mas PUTAQUEMEPARIU, que broxante, sair na foto lendo DC vs Marvel?? Em um jornal de circulação nacional?? DEUS ME FOCKIN LIVRE! Se a questão era aparentar ser nerd cool, que aparecesse lendo uma Superaventuras Marvel em formatinho com a Tropa Alfa na capa. Sério, ninguém merece DC vs Marvel. Aposto que ela tinha uma arma apontada pra cabeça. Ou something.

Vale lembrar que dá pra comprar A PORRA DO MEU LIVRO comigo. Vem com uma dedicatória amável e vários desenhos de passaralhos. Ou não, se você quiser eu desenho um Pikachu cigano, tudo ao gosto do freguês. Basta escrever pro meu adorável email, o afamado pedrogmvieira@gmail.com .

*


Pois é, o negócio é capitalizar em cima desses quinze minutos de fama. Tô cobrando por hora pra mestrar GURPS. Terceira ou quarta edição. Sério, eu sou um mestre sinistro. Prometo não matar todo mundo na primeira hora de jogo, até porque eu cobro por hora, né?, que nem piranha. E sai mais caro pra mestrar D20, porque detesto sistema que parece jogo de computador. E Desafio dos Bandeirantes, Elric e Paranóia, com tarifas a combinar.

Tá bom, Gorda, Ary, aceito meu pagamento em cerveja.

*


Então, o único livro que consegui ler inteiro nessas parcas férias foi o interessante A Mão que Cria, do Octavio Aragão. Não estou sendo péla saco porque o Octavio foi professor da Escola de Belas Artes (onde eu estudei em um momento negro e conturbado da minha vida), até porque ele não gosta de RPG. Quem não gosta de RPG bom sujeito não é, como diria o Ary.

Anyway, o livro é uma “ficção alternativa”. Um rótulo divertido pra um sub-gênero da ficção científica/fantasia, que envolve brincar com fatos históricos e literários e perverter a porra toda. Tipo um League of Extraordinary Gentlemen. Não é um simples “o que aconteceria se o Paraguai vencesse a Guerra do Paraguai”, é algo tipo “o que aconteceria se o Peru vencesse a Guerra do Paraguai com auxílio das Lhamas Mutantes do Dr. Moreau”. Sacou? O bagulho é extrapolação séria. Todos nós no Brasil estaríamos vestindo ponchos? Estaríamos bebendo pisco em vez de cachaça? As lhamas seriam o nosso único meio de transporte? Em vez de rodas de samba, teríamos índios com flautas tocando “Imagine”? Pois é, tem que ter cojones.

E no livro nós temos zumbis frankenstenianos (genial!) e o Aquaman do Dr. Moreau. É um tipo de literatura que demanda uma boa dose de pesquisa, e as referências são peça chave para “validar” as perversões impostas aos cânones históricos/literários.

Mas, colocando toda essa farofa pseudo-literária de lado, a melhor parte do livro são os zumbis.

Porra, colocar zumbi sempre é covardia. Ganha o meu coração na hora.

*

O episódio insólito da vez fica por conta do meu irmão, o cara mais bonito do Rio de Janeiro depois de mim. É o seguinte, o rapaz é uma pessoa saudável, atleta, maratonista, 2% de gordura, não bebe e nem fuma e, ironicamente, tem o coração bichado. Bem feito, quem mandou ser saudável, éin?

O que aconteceu: o mané havia terminado um procedimento inofensivo (deram um boot no coração dele, e felizmente não precisou reinstalar nada), mas que exigiu que o pobre diabo fosse dopado de morfina até as orelhas. Acordando do procedimento, ele teve a pior bad trip de distúrbio de personalidade da história da humanidade.


Acordou aos berros:

“EU SOU OBINA! EU ENTRO NO SEGUNDO TEMPO PRA DEFINIR! OBINA NÃO PERDOA! OBINA DECIDE! PÓ’ DEIXÁ COMIGO!”

Isso durou alguns segundos realmente assustadores. Até que uma enfermeira jeitosinha entrou no quarto e ele voltou a si – e perguntou se não rolava um cafunézinho.
bjundas


(np: Muse - Knights of Cydonia, e o show é amanhã, yay!)



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Terça-feira, Julho 08, 2008

Paraty, pte 2

É, fiquei devendo o resto do relato das Crônicas de Paraty.

E, pra vocês não dizerem que eu sou moleque, aqui está um comedido resumo. Clica, porra.

E até com direito a imagem, pra quem não viu:



Pois é, tive a minha primeira experiência de pop star. Nunca tinha tirado foto fazendo pose no meio da rua. Foi constrangedor, mas deveras divertido. Sério, experimente. Comece enchendo a cara de cerveja, depois junte-se com mais 8 ou 9 amiguinhos e vá pro meio da rua. Enquanto um amiguinho (o que tiver o maior semblante de seriedade e a câmera fotográfica com mais pinta de profissa) tira as fotos, e dois amiguinhos ficam dirigindo e tomando nota, você e seus outros amiguinhos ficam posando blasêmente em alguma esquina bem movimentada. Aproveite pra fazer isso no meio de um evento de grande porte. Bingo. Vai ter um monte de mané parando pra tirar foto também. E perguntando: “de que país eles são?”, “qual novela tão filmando?” e você ainda vai ouvir “vou tirar foto de qualquer maneira, vai que alguém fica famoso aí?”.

Agora, sabe o que seria realmente maneiro? Se todo mundo estivesse fantasiado de zumbi. “Novos autores mortos-vivos reivindicam a imortalidade na FLIP, não ia dar uma manchete foda?

Ainda mais no ano de centenário da morte do nosso Machado de Assis, o fundador da Academia Brasileira de Letras e, portanto, o primeiro imortal. Imortal my ass, a nova geração prefere a zumbificação à imortalidade. Interprete como quiser. HAHA.

Aproveitando a inspiração momentânea, segue esse belo vídeo que a Gorda me passou, o trailer de uma pérola chamada Revenge of the Gangbang Zombies. Reiterando que sou tão a favor de gangbangs quanto sou a favor de zumbis.

Então, isso foi a FLIP. Comprei dois livros, um do colombiano que falou mal de todo mundo e outro da Zoe Heller, porque tava barato e eu fui com a cara. Conheci um poeta flamenguista (o que já é um indicativo da alta qualidade dos trabalhos do cara). Tomei mais cerveja do que deveria. Tirei poucas fotos. Vi o Neil Gaiman jantando e – ponderadamente – decidi não incomodá-lo. E é isso, de volta à vida real e, provavelmente, à escassez de posts. Ou não. Sempre é uma incógnita.

Bjundas

(np: Weezer - Heart Songs)

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Domingo, Julho 06, 2008

Paraty, pte 1

EM primeiro lugar, eu admito que mereço o escárnio universal pela periodicidade com que atualizo essa joça. Pois é, o cara lança uma porra de um livro, mas não atualiza a bosta do blog. Hehe. Tô atualizando agora. Então, não enche. (Basicamente, isso se dirige às três pessoas que lêem esse blog: a Gorda, a Bruna e o Ary).

Então, lancei um livro e tal. Todo mundo já tá sabendo. E nada mais clichê do que ir à Flip! Uhu! Coloquei meus óculos quadrados de intelectual e lá fomos nós.

(Por uma deveras agradável coincidência, quem estaria na FLIP? Quem? o Neil Gaiman! Justamente no ano em que eu lanço meu primeiro livro. Isso se chama TIMING, meninos, aprendam com o garotão aqui).

Bem antes do fim da mesa do Gaiman (que ele participou com o Richard Price - quem?), tava na cara que a fila de autógrafos ia tomar proporções bíblicas. Era só olhar em volta pra ver a legião de fãs default de Sandman (na qual eu me enquadro facilmente, só não estava com os olhos pintados de Morte porque não tenho vocação pra travesti). Não deu outra, o leviathan se materializa em forma de fila. Por sorte eu ainda consegui um lugar razoável e esperei duas horinhas.

Quando chegou a minha vez, já estava prevendo mais um episódio Don Lázaro Venturini. Ih, cara, como essa é uma referência a uma novela das antigas, não espero que todo mundo se lembre. Então melhor ser um pouco mais específico – eu temia começar a babar pelo canto da boca e ter uma crise epiléptica, conseguindo, no máximo, entregar meu exemplar de Coraline antes de perder os sentidos.

Exageros e viadagens à parte (eu controlo razoavelmente bem as minhas faculdades mentais), entreguei pro Mr. Neil um exemplar do meu próprio livro (o Nerdquest, vocês sabem). Falei toda aquela bobagem clichezaça de sempre. Pô, todo mundo tem seu dia de farofeiro. Ele pegou o livro, agradeceu (It’s really very kind of you) e mandou:

- Ah, mas onde está a minha assinatura? Se você não assinar o meu livro, eu não assino o seu!

Golpe baixo, ein? Falhei vergonhosamente no Saving Throw. Entrei em torpor. PORRA. Eu dei um autógrafo pro Neil Gaiman! Se ele tivesse pedido pra eu traduzir o livro todo ali mesmo, eu não teria hesitado. Hehe.

Tá, antes que o primeiro espírito de porco (é vc, Gorda) comente, eu sei que foi “very kind of him”. Mas – tecnicamente – continua sendo um autógrafo! Tá valendo!

Bom, isso já valeu a ida à Paraty.

Ah, já valeu até ter escrito o livro, pô.

(E em breve atualizo novamente, com mais detalhes sobre o restante da Flip. Ou não).

Bjundas!


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Quinta-feira, Dezembro 27, 2007

Livros do (meu) ano

Bom, todo mundo sabe que a coisa mais legal do mundo é fazer listas. É completamente inútil, mas todo mundo faz, começando pelas listas de supermercado (que nunca são respeitadas), até listas de resoluções de ano novo (bem menos confiáveis do que as de supermercado).

Agora deixando pra trás o parágrafo de introdução bullshit obrigatório, decidi fazer uma lista e citar – sem ordem de preferência ou cronologia ou porra nenhuma – os livros que li esse ano e mais gostei. Vamulá.


Reparação, do Ian McEwan. Quem já leu comentários sobre esse livro, em algum momento pensou “não pode ser essa pica toda, isso é hype de crítico punheteiro!”. Não, nem é. Coloquei o livro em primeiro aqui porque é a melhor que eu li em anos. Experimente falar mal na minha frente, vai sair briga.

(Não que isso signifique muito, também não admito que falem mal do Holy Land, do Angra, na minha frente.)

Mas sério, quero ver você ler essa singela história e não terminar as últimas páginas com aquela lágrima fugidia escapando incógnita e um sorriso idiota na cara. Sério. Mesmo.

Memórias póstumas de Brás Cubas, do Machadão, claro. Bom, como todo o resto do Brasil, eu fui obrigado a ler Machado na escola, quando queria mesmo era ler Dragonlance, Isaac Asimov e os X-Men contra a Fênix Negra. Porra, óbvio que nunca mais cheguei perto do Machadão. Havia um espaço empoeirado e praticamente inacessível na minha estante dedicado a Dom Casmurro e outros livros que "li" na escola. Só era possível alcançá-los com uma escada. Eu lembro ter “guardado” os livros lá fazendo frisbee literário (algum dia eu ensino as melhores técnicas). Mas alguns tiveram sorte pior. Iracema eu queimei num ritual satânico, ouvindo Motley Crue. \m/

Anyway, depois, com meus 27 anos na cara, calhou-me ler esse livro para a aula de Teoria da Literatura. Infelizmente, o frisbee do Memórias desapareceu, tive que comprar aquela edição sebenta da Martin Claret, que pelo menos não é diagramada em duas colunas.

Putz, que livro foda. O humor do Machado (ou do Brás) é praticamente Monty Python. E a visão cética dele é genial. E blá, blá e blá... Fiz uma prova sobre esse livro, não vou apoquentar vocês com toda a bagagem intelectual que eu tentei reter. Hehe. Sério, eu tento reter coisas intelectualmente enriquecedoras, mesmo que não sejam regras de RPG ou detalhes obscuros da cronologia ininteligível do Universo Marvel. Só mesmo Lingüística que eu faço questão de armazenar na minha pasta de arquivos temporários e deleto periodicamente. HAha.

Anyway, Machadão rules.

As Vinhas da Ira, John Steinbeck. É um livro grandinho, que caminha beeeem lentamente, sobre uma família de retirantes americanos em busca da “terra prometida” na Califórnia. Ao mesmo tempo que é realista, cru e muito crítico, é poético e emocionante. Não, não faz você virar gay, eu também sou sensível, porra. Vale ressaltar que foi uma dica de minha amiga húngara Szcszuka (ahá, vai, seu mané, tenta pronunciar isso! agora de novo, com a boca cheia de farofa!).

1933 foi um ano ruim, John Fante. A Gorda já tinha me emprestado dois Fantes (Bunker Hill e Pergunte ao pó, meu preferido), aí o Campélla me emprestou esse. Putaquepariu, que livro foda. Sem mais comentários.

Deus, um delírio, Richard Dawkins. Absolutamente genial. Inclusive, eu, ateu convicto, terminei o livro um pio devoto do Monstro do Espaguete Voador. Cara, vocês sabiam que o paraíso do Monstro do Espaguete Voador tem VULCÕES DE CERVEJA???? Isso aí, vulcões que jorram cerveja! Eu já mandei reservar o meu assento na beirada do vulcão da Leffe. HAHAHA, a minha religião rocks, a sua é um lixo.

Nove noites, Bernardo Carvalho. Mais outro bem vindo presente da minha aula de Teoria da Literatura. A leitura é fácil, dá pra sentar e ler de uma só vez. O texto é foda, a trama começa a prender da mesma maneira que Lost, você não entende porra nenhuma, mas tem a leve sensação que algo que de algum modo faz sentido está acontecendo. Isso até metade do livro. Ao fim, tire suas próprias conclusões e tente não me matar.

(Em tempo, Lost sucks justamente por todos os motivos que Nove noites rules)

O café-da-manhã dos campeões, Kurt Vonnegut. Descobri esse escritor americano esse ano e não, ainda não li Matadouro 5, apesar do Ary, do TV e Cerveja, ter me prometido emprestado. Mas, O café-da-manhã do Vonnegut já é um aperitivo dos melhores. Muito engraçado, zoando com a ficção científica e usando a ficção científica pra zoar com todo o resto, sempre criticando tudo com ironia. Foda.

12 razões para amá-la, Jamie S. Rich e Joelle Jones. Bom, isso é uma HQ, não um livro. Uma dessas HQs moderninhas sobre pessoas tipo eu, você ou a Gorda. Gente normal e sem graça. Um casalzinho qualquer que se apaixona e discute, e isso e aquilo e fica junto, ou não. Bom para tardes melancólicas.

Isso aí, não consigo pensar em mais nada agora.

Vou só destacar a decepção do ano, levantando um alvo de néon brilhante para receber todo o hate mail possível: o sétimo Harry Potter, que é uma bela duma bosta. E eu não vou falar nada a respeito porque estou sem paciência hoje. Porém, es ist scheisse.

Besitos a todos, até a próxima, ou não.
(np: Roberta Sá, Samba de Amor e Ódio)


p.s. O primeiro engraçadinho que fizer um trocadilho com "Livros do (meu) anûs" ganha um pirofante albino usado.

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Terça-feira, Setembro 18, 2007

The Dragon is gone

Cara, que merda.

Mal sentei no computador hoje de manhã e a Gorda veio com a notícia de que o Robert Jordan morreu.

Provavelmente 99% da humanidade nunca ouviu falar em Robert Jordan ou em Wheel of Time. Na moral, foda-se.

A verdade é que sou afortunado o suficiente para ainda não ter “sofrido” a morte de nenhum dos meus ídolos. Olhando em retrospecto, não sei exatamente onde situar o supracitado autor nessa história toda, mas quando eu paro e me vem à mente um singelo detalhe – que li mais de 8 ou 9 mil páginas saídas do computador do desgraçado – obrigatoriamente não posso considerá-lo “insignificante”.

Tolkien construiu uma mitologia para dar vida às línguas que ele tanto era apaixonado em criar. Creio que Mr. Jordan (ou Robertão, para os íntimos), se esforçou tanto para criar uma mitologia que daria vida e verossimilhança aos seus personagens que em algum momento aquilo tudo escapou de seu controle. Tanto que Wheel of Time, seu descomunal épico de modern fantasy (ou high fantasy, não vou chamar de fantasia-farofa hoje, em respeito), jaz inacabado, após 11 livros, sem falar nos contos, HQs, RPGs e uma prequel.

Admito que após o décimo livro minha empolgação com a série já havia esvaecido. Como se o próprio Robertão soubesse que um mísero passo a frente significaria dar um fim naquilo, por isso prorrogasse até o último minuto o momento de arrancar o band-aid – o que ninguém agüenta, cá pra nós. Não aprovo o fato de que o fim da série tenha sido por tantas vezes adiado (seriam quatro livros, depois sete, depois dez e, por fim, doze). “Caça níquel!”, eu mesmo esbravejei várias vezes. Fazer o quê? Livros são um negócio como qualquer outro e os americanos devoram esse tipo de farofa. Por isso a minha recente revolta com o Robertão e sua Roda do Tempo – o que me fez inclusive apagar seu nome de minha lista de livros preferidos no orkut (uau, isso sim é grave).

De qualquer maneira, caça-níquel ou não, é impossível deixar barato.

Devo ter perdido quase um ano de tempo de leitura em função de Wheel of Time.

O meu vocabulário de inglês no que diz respeito a expressões faciais ininteligíveis e redundantes – snigger, snort, scowl, frown, etc – aprimorou-se 100%.

O fetiche por personagens coadjuvantes inúteis também. As listas com nomes de personagens eram uma obsessão nada sadia.

Quando o Robertão errava de mão, a frustração pelos finais de livros psicodélicos e obtusos (livro 4, livro 10) só era compensada pelas chacinas hecatômbicas de quando ele acertava a mão (livro 6, livro 9, livro 3).

Sempre haverá um cantinho especial no meu coração reservado para Dumai’s Wells. Ou pro péga pra capá entre os Forsaken e o combinado de Ashaman e Aes Sedai, no livro 9. Cara, eu cheguei a fazer anotações pra conseguir seguir o que estava acontecendo sem perder nada (desse modo eu percebi que um dos personagens sumiu durante a batalha porque o Robertão se esqueceu dele. Ora, no livro seguinte bastou inventar que o espadachim sinistro estivera cuidando dos cavalos. Relevemos).

Ainda acho que o Lan enfia a porrada no Aragorn e no Jamie Lannister. Juntos.

Se eu fosse Aes Sedai, seria Cinza. É o Ajah mais divertido.

Me orgulho de ter conseguido ler o lendário banho da Elayne até o fim, no livro 10. Quatro capítulos de uma minuciosa descrição do sistema de encanamento de um castelo medieval, entremeados pelos sintomas de uma gravidez sobrenatural e feiticeiras de TPM. Tão divertido que faz Ulisses parecer uma HQ dos X-men. É a passagem que separa os homens dos meninos, não é Gorda?

Bom, provavelmente a família vai publicar toda e qualquer linha ainda não impressa. E certamente o Robertão vai voltar pra assombrá-los, se não publicarem cada scowl da Nynaeve que ficou pra trás. E quem conhece a série sabe que são muitos scowls.

E que a lição sirva para o viado do George R.R. Martin não adiar mais uma vez o fim da porra do A Song of Ice and Fire.

Anyway,

Robert Jordan, aka James Oliver Rigney, Jr.

17 de outubro de 1948 – 16 de setembro de 2007

Link para a post no blog do Robert Jordan


Link para o post no blog do Neil Gaiman


Link para o post no blog do George R. R. Martin

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Quarta-feira, Setembro 05, 2007

"Tratar de estar mejor"

(Esse artigo foi escrito pelo chileno Alberto Fuguet e retirado do livro Apuntes Autistas. Não existe traduzido em português e eu resolvi compartilhar essa genialidade com meus amigos. Deixei o título original, pra acentuar o caráter de tradução não-oficial. Quero ser que nem ele quando crescer :~~~ )

De Alberto Fuguet
Traduzido por Pedro Vieira


Caminho, tropeçando entre todos esses livros piratas do Paulo Coelho à venda nas ruas. Os jornais me bombardeiam com manchetes sensacionalistas. Tudo virou lixo, escândalo, fofoca. As massas tomam conta e algo do elitista que existe em mim sente um leve mal-estar.

Alguém me pergunta de que fujo. Como assim? Todos fogem de algo, insiste, algo que não querem enfrentar. Perdão? A raiz de todo vício passa pela fuga. Quê?? Em seguida, me pergunta quais são os meus medos de fim de século. Digo-lhe quais são: que as pessoas – homens feitos, sem problemas significantes, pais de família – comecem a falar desse mesmo jeito que você.

O maior vazio é se preocupar tanto com os vazios.

Para que colecionar figurinhas se posso colecionar a mim mesmo?

Na Feira do Livro, compro A última grande lição, de Mitch Albom. É um livro pequeno, fácil de ler, presente perfeito pra essas pessoas que você gostaria que fossem assassinadas. Vendeu mais de cinco milhões de exemplares. Um êxito assustador. Quase todos os leitores, homens. Homens que não lêem, exceto por absoluta necessidade. O tipo de homem insensível, o homem que não dança. Já havia visto o tal livro em aeroportos, em inglês. O título original é bem melhor, Tuesdays with Morrie. Terças-feiras com Morrie. Mas quem é essa porra de Morrie? Morrie é um homem notável. Um professor. Um treinador que treina Mitch para essa partida, que é a vida.

Do que estamos falando mesmo?

Sério, alguém necessita de um treinador?

Para quê, para acabar suado? Façam-me o favor. Nego-me a imaginar que a vida seja uma academia de ginástica.

Para que lê esse lixo? Alguém que conhece literatura me pergunta. Os livros são de Vênus, a auto-ajuda é de Marte, alega.

A ultima grande lição é algo como um remake contemporâneo, suburbano, da viagem de Gurdjieff em Encontros com homens notáveis. A história de Morrie é real. Morrie viveu até pouco tempo atrás. O narrador é um desses caras bem sucedidos, jornalista de trinta e tantos anos, recém casado, workaholic, mas que sente que está tudo errado em sua vida. Tem de tudo, mas, obviamente, como sempre acontece nesse tipo de crise, ao mesmo tempo não tem nada. Traiu a si mesmo. Deixou-se “encantar pelo canto da sereia” de sua própria vida. Morrie, que já nem consegue ir ao banheiro sozinho, foi seu velho professor na universidade. E Morrie está morrendo, ficando paralisado pouco a pouco. Mitch voa, toda a terça-feira, de Detroit para Boston, só para ver Morrie. E Morrie lhe ensina coisas. O ilumina. Explica todo o significado da existência humana. Morrie é Yoda.

O velho sábio fala mais ou menos assim:

“Está em paz consigo mesmo? Tenta ser tão ser humano quanto pode?”

Não, não estou em paz. Ou talvez esteja. O que você tem a ver com isso, porra? Olhe para si mesmo, que belo fim você teve: sozinho, paralítico, sem ninguém que venha te ver exceto o otário do Mitch.

Tentar ser humano. Para quê.

Tente ser freak, esquisito, indeciso, intenso, autista, psicopata: mas, por favor, olha aonde chegaram todos esses humanos.

Morrie é esse tipo de personagem “gostável”, daqueles que uma pessoa sensata deseja que morra o quanto antes. Mitch, o narrador, é o tipo de filhadaputa que vai mudar, para pior. Morrie o preenche com sabedoria instantânea:

“Quando se aprende a morrer, se aprende a viver”

Ah sim, mas é claro. Como se ninguém passasse desta para uma melhor sem gritar, chorar e agarrar-se à vida até o último suspiro. Não fode. “O mais importante nesta vida é aprender a dar e receber amor”. Claro, concordamos agora, mas tampouco isso te assegura alguma coisa. Vamos Morrie, sem exagerar. “Olhar para trás faz você querer competir”. Ah, certo... BASTA.

(...)

Morrie é um perigo público.

Tuesdays with Morrie é o livro que faltava para fechar esse milênio, completar de uma vez a transição ao próximo. Tudo o que diz é sério, real, verdadeiro e, do mesmo modo, não dá pra acreditar em nada.

Talvez exista algo de obsceno em se auto-ajudar. Não o desejo em si, com certeza não. Por acaso existe objetivo mais legítimo e, decerto, mais urgente? O que perturba é o fato de algo em essência tão pessoal se transformar em público, coletivo e naif. Uma terapia barata em massa. Curar-se em grupo, às vistas. É como fazer uma tortilla sem quebrar os ovos. É falar do indivíduo refugiando-se no anonimato do plural.

Vou ao cinema assistir ao bizarro Clube da luta. Um filme com suas falhas, porém esquisito, provocador, tão inteligente quanto burro, que por tentar ser fiel à cativante novela trash de Chuck Palahniuk, termina tratando-a mal. Edward Norton é um homem covarde, quieto, insone. Fica viciado em grupos de ajuda. Por não ser capaz de chorar sozinho, chora em público. Mente a todos e mente a si mesmo, porém desabafa. Logo conhece Brad Pitt. Pitt é Morrie com músculos. Diz coisas tipo “auto ajudar-se é como se masturbar. Auto destruir-se, por outro lado...”. Pitt cospe pérolas dark: “Nossa geração não teve uma grande depressão, uma grande guerra. Nossa guerra é espiritual. A depressão é nossa vida”. Sua solução é não oferecer solução alguma. É combater o nada com violência. Pitt crê que um homem não se faz através do choro, e sim saindo na porrada, com as mãos nuas.

Eu acho que um homem se faz indo ao cinema e lendo, mas não esse tipo de coisa.

Fuck Morrie, descanse em paz.

Fuck Mitch
por ser um necrófilo. Por ser uma fraude. Por iludir toda essa gente em busca de conforto, preenchendo-os com conselhos que apenas servem pra te deixar mais nervoso, que não acalmam e que te fazem se sentir ainda mais só; pois você se dá conta que esse mundo está cheio de pessoas asquerosas, estúpidas, insensíveis, incultas e preguiçosas.

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Quarta-feira, Julho 18, 2007

Por um TIM Festival menos ordinário!

Esse post é só pra engrossar o coro de insatisfeitos com o cast até então anunciado pelo TIM festival. Tô com a Gorda e não abro. De que vale a Bjork (de novo, por que não a Tori Amos??), e chover no molhado com Artic Killers, Juliette and the Lewis, etc etc?

Assim como a
Gorda, ilustro a minha insatisfação com um vídeo de Rodrigo y Gabriela, a coisa mais foda já produzida pelo México*, mas ainda sem hype suficiente para vir tocar no TIM festival (ainda!).

Por um festival menos ordinário, Rodrigo y Gabriela com Tamacun.



*depois do Cafe Tacuba e da mescalina.

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Segunda-feira, Julho 16, 2007

De que lado a Marvel quer que você esteja?

Finalmente, começa a ser publicado aqui no Brasil o evento que promete abalar de vez o Universo Marvel. Que caô, né? Mais um caça níquel onde heróis lutam entre si. Será?

A história é o seguinte, os Novos Guerreiros, um grupo de heróis pé-de-chinelo, se mete a besta e resolve enfrentar uma trupe de super-vilões pé-de-chinelo, tudo isso em cadeia nacional de TV. O que seria apenas um equivalente super-heroístico a um embate entre Cabofriense e Madureira acaba tomando proporções dramáticas quando um dos super-vilões, cujo poder é explodir (cara, que poder original), resolve – adivinha? – explodir. O resultado é uma chacina na escolinha primária logo ao lado do campo de batalha (muito bem) escolhido pelos heróis. E a conseqüente morte de todo mundo.

Aí começa a parte “séria” da história. O governo americano aprova uma lei de registro de heróis, onde daí pra frente todos os heróis passariam a ser agentes do governo. Tem início um debate permeado de questionamentos éticos, e, finalmente, os heróis se dividem entre aqueles a favor da lei de registro e aqueles contra.

A boa idéia é (ou seria) retratar cada um dos lados imparcialmente, já que cada lado tem suas razões. Aqueles do lado do governo acham que tragédias como a da explosão da escolinha seriam evitadas. Aqueles contra a tal lei defendem o direito que todos nós temos de nos enfiarmos em um colante colorido e sair na rua espancando malfeitores.

Afinal, há de se dar crédito a esse direito. No meu caso, se eu tivesse super-força, ia pensar duas vezes antes de amarrar uma bandana do Flamengo na cabeça e sair tocando mais terror nos traficantes do que o caveirão. Provavelmente preferiria algo um pouco mais prático, como me tornar o trabalhador braçal mais bem pago do planeta. Putz, se o meu poder fosse explodir, ia fazer fortuna na prospecção de poços de petróleo. Anyway, lá vou eu divagando.

A trama segue um desenvolvimento típico de mega crossovers. Os heróis se dividem e a pancadaria estanca. Sublime! O problema é que a história nos manipula a torcer por um dos lados. Primeiro, todos os heróis cools ficam contra o governo, afinal, é cool ser contra o governo - reacionário, republicano e repressor (quisera eu ter mais adjetivos começados em ‘re’ e estender essa aliteração indefinidamente). Então, Demolidor, Wolverine, Luke Cage e o Capitão América (que, quando bem escrito, é foda pra caralho, vide a fase de Ed Brubaker que está saindo na revista dos Vingadores) são todos contra o registro. Importante notar que isso sela a questão de cara, já que o Capitão América sempre está do lado "certo".

Do outro lado? Homem-de-Ferro. Quem mais? Jaqueta Amarela? Ah, vai tomá na peida. Reed Richards? Putaquepariu. Quer mais? Vespa, Ms. Marvel? Francamente, o único personagem com uma forma de tratamento no codinome que eu levo a sério é o Mr. Bean. Mais interessante é que a Marvel teve que desenterrar uns heróis de terceira, esquecidos lá nos cafundéus dos anos 90, pra poder preencher as fileiras da banda podre. Tipo, Magnum, Tigresa? Como assim? Se o Homem-Formiga estivesse vivo ia ser um dos picudões do grupo.

E o Homem-de-Ferro passa a se comportar exatamente como você espera que um vilão se comportaria. Nas palavras do meu irmão, “desde quando o Homem-de-Ferro se acha o bonitão?”. Pois é, ele tá se achando o bonitão, tipo “eu que mando nessa porra e vai ser desse jeito”. Muito se discutiu na internet se o personagem está out of character. Claro que está, porra, ele tá parecendo o fucking Dr. Destino. Só falta fundar a Starkvéria nos EUA.

Mas, no fim, it’s all about super-heroes beating the crap out of each other. E, devo admitir, poucas vezes a porrada estancou de maneira tão true entre super-heróis. Esqueça os debates éticos e descarte os personagens mal caracterizados, porque Guerra Civil é um grande baile funk onde os alemão do lado A tira onda com os camarada do lado B, e a porrada estanca.

E é lindo.

Só espero que a Marvel arque com as conseqüências do próprio elefante branco e não venha de gracinha, a famosa desculpa de “era uma realidade alternativa”. Vai ser extremamente frustrante, daqui a uns meses, se nego inventar que tudo não passou de um sonho do Lockheed.

Só mais uma última consideração. Afinal, de que lado o Dentinho está??? IMO, a opinião de um bulldogue alienígena gigante com poderes teleportadores sempre deve ser levada em consideração.


Inté!

UPDATE: O Ary, do Tv e Cerveja, contribuiu com o link para a genial versão de Guerra Civil em 30 segundos: http://the-isb.blogspot.com/2007/02/civil-war-in-30-seconds.html

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Terça-feira, Julho 03, 2007

O Harry Potter é veadinho!

Eu não costumo ler os comentários do meu próprio blog. Não é descaso não, é simples distração. Pois bem, resolvi passar os olhos por uns posts antigos outro dia e me deparei com uma pérola! Lá no primeiro post, em que eu enfileirava críticas destrutivas pelo orifício do sexto Harry Potter (o do Half Blood Prince), um ensandecido fã me presenteou com a contundente missiva:

Anonymous said...

cara , voce idiota ou o que ? , acho que voce só faz isso da vida reclamar dos outros , se voce nao gosta do livro nao leia voce n é obrigado ou é ? cuida da sua vida e deixa os outros ,se voce nao tem criatividade para fazer historias , deixe os outros , e veadinho é vc
10:49 AM

Genial! Agora, respondendo às perguntas do meu curioso leitor: sim, sou idiota; sim passo minha dolorosa existência reclamando dos outros; sim, por incrível que pareça eu sou obrigado a ler o livro, é o que as vozes na minha cabeça me mandam fazer; e, por fim, toda minha criatividade é direcionada para esculpir genitálias de animais em marzipan.

Mas veadinho é a senhora sua mãe, eu sou sodomita. :P

Quem estiver curioso, segue o link para o meu post ofensivo:
http://e-lric.blogspot.com/2005/09/est-valendo-e-o-harry-potter-novo.html


Bjundas e darei notícias em breve.

np: Turf – Ya no me quiero casar (divertida banda hermana, baixem!)

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Sexta-feira, Março 30, 2007

That Stupid Soundtrack Meme!

Não resisti a postar essa brincadeira estúpida. Mas é a primeira e última vez que uso o blog para tal futilidade. (HAHA, vai nessa)

Vou explicar: nesses tempos modernos encontra-se um oráculo em cada esquina (a não ser que seja a esquina do Mundo Verde, daí você topa com uns trinta oráculos e chá verde). Porém, o mais divertido descendente de delfos está aí no seu computador, é o seu Winamp (ou Media Player, whatever).

Ponha todas as suas mp3s pra tocar, no modo shuffle, e a partir daí, descubra qual é a trilha sonora da sua vida, cortesia da infinita sabedoria do seu audio player! (E funciona melhor se você tem infinitos giga de mp3 que nunca sequer ouviu, por exemplo).

(Descobri a brincadeira através desse blog nerd, encontrado aleatoriamente hehe)

Afinal, não resisti, aí vão minhas tracks e alguns comentários, embora sem questionar a sabedoria do grande oráculo.


Opening Credits:

I Still Remember”, Bloc Party. Rola aquele climão, bem início de filme americano de highschool. Não sei se isso é bom ou é ruim, já que daí pra frente o negócio pode degringolar pra um terror adolescente sanguinolento, uma comédia mongol escatológica ou algum filme perturbado dirigido pelo Gus Van Sant. Veremos.

Waking Up:
“Jealous Girls”, The Gossip. Que porra de soundtrack modernoso é esse? Eu tenho 10 giga de Café Tacuba e só toca rockizinho alternativo? Anyway, essa banda é legal e realmente tem aquele clima do personagem principal (eu) acordando de manhã e indo pra minha highschool na Califórnia. Nem prestei atenção na letra, pra não me assustar com os desígnios do Winamp.


First Day At School:
A Garota Mais”, Wonkavision. Essa música é genial, mas não combina lá muito com a premissa de ‘Primeiro Dia na Escola’. Até porque a última coisa que o jovem Pedro iria pensar no primeiro dia de aula seria se casar com a garota mais afudê do mundo. Mas vá lá, o jovem Pedro não era lá um jovem muito normal. Quem sabe... ?

Falling In Love:
Cambodia”, Apoptygma Berzerk. Tava demorando pro Winamp escolher alguma coisa que eu nem sequer ouvi (viu? Quem manda baixar mp3 compulsivamente?). Não consigo me ver “flying to Cambodia” e falling in love com uma cambojana, contudo, como já foi observado anteriormente, não sou lá a criatura mais normal do mundo.

Fight Song:

Twinkle”, Tori Amos. Ok, ok. Vamos combinar que, sejam quais forem meus inimigos, lutar ao som de Tori Amos é pura poesia. Ainda mais uma música só com piano e voz. Bom, fica a minha sugestão, a peleja tem que ser algo no estilo Clã das Adagas Voadoras, e eu espero estar enfrentando zumbis com uma serra elétrica.

Breaking Up:
Salir Corriendo”, Amaral. Finalmente, chegou o momento em que eu termino com a cambojana mais afudê do mundo. E nada melhor que a Amaral, cantora espanhola que só compõe hits candidatos à trilha sonora de novela. Olha só: “Cuántos peces tienes que pescar / Para hacer un desierto del fondo del mar?”. Fico feliz em dar um pé na bunda daquela cambojana sem-vergonha ao som da minha diva pop espanhola predileta.

Prom:
Pressure Point”, The Zutons. Canção divertida de uma banda divertida. Imagino a pressão que o baile de formatura tenha se tornado para o adolescente Pedro, após tudo que tem passado. Faz sentido. E pelo trecho “I've acted so well, ain't been cheating, there's nothing to tell”, descubro que provavelmente era a cambojana imunda que estava me traindo!! Afinal, eu que era o bonzinho otário da relação, fazia tudo direito e etc e tal.

(HAHAHA, Winamp, seu velho maroto, tô te devendo uma.)

Life:
Son of a Preacher Man”, Joan Osborn. A parte “the only boy who could ever reach me...” levanta sérias dúvidas à minha sexualidade. Digamos que esse era um episódio reprimido da minha tenra infância, trazido a tona pelo excesso de ponche sem álcool no baile de formatura.

(Maldito Winamp, logo quando eu resolvi te elogiar?)


Mental Breakdown:
The Walk”, The Cure. Claro, cai como uma luva. Minha crise nervosa, ocasionada pelo filhadaputa filho da porra do pregador, tinha que ser acompanhada por The Cure. O pior de tudo é que a letra ainda diz “in an instant I remember everything”. Valeu, isso aqui está fugindo seriamente do meu controle (só criativo, por enquanto).

Driving:
Cordão”, Chico Buarque. Puta merda, quem dirige ouvindo Chico Buarque? No trânsito do Rio eu certamente não estou. Acho que interpretei mal o nome da seção, não estou dirigindo um carro, e sim uma espaçonave atochada com todas as ogivas termonucleares da União Soviética – a todo vapor em direção ao Sol.

Flashback:
De repente, o Winamp abre o Pimsleur, curso de russo em mp3 (eu sei falar spaceeba e tovarisch). Caralho, pelo menos a porra do meu flashback é em russo.

Getting Back Together:
Exit Music”, Savatage. Bom, fiquei até emocionado. Música instrumental do Savatage. Bem farofada para um getting back, embora paradoxalmente chamada exit music. Já aviso que não estou voltando com a cambojana ordinária, e sim com a russa do meu flashback, ok?

Wedding:
Simple Things”, Zero 7. Conheci essa banda pela trilha sonora do Garden State (Hora de Voltar, em português, filmaço com a trilha sonora quase tão boa quanto a minha). O som tem um clima meio ambient, meio trip hop, downtempo ou seja lá como se definem estilos musicais para que soem cool hoje em dia. Seria um casamento meio melancólico pro meu gosto, pelo visto sem álcool. Talvez a russa fosse uma espiã da KGB pretendendo me influenciar a utilizar meu gênio criativo em prol da URSS. Medo.

Birth of Child:
Rock is Dead”, Marylin Manson. Ótimo, vou ser pai da porra do anticristo.

Final Battle:
Television, Television”, Ok Go. Bom, depois de uma primeira batalha poética ao som de Tori Amos, aqui temos algo mais animado, um estilo Buffy: The Vampire-Slayer. Provavelmente estou enfrentando os ninjas-demônios que vieram seqüestrar o pequeno anticristozinho dos braços do papai aqui. Nah, nah, nah, ninguém leva o pequeno anticristozinho, vai todo mundo entrar na porrada.

Death Scene:
Stash”, Phish. Bom, eu morro ao som de Phish, e uma música esquisita que é uma cruza de jazz com bossa nova e umas pitadas latinas. Genial, genial. Digamos que terei uma morte misteriosa e dúbia e que em breve eu ressuscite como o espírito da vingançaou algo que o valha.

Funeral Song:
6 Underground”, Sneaker Pimps. Interessante e apropriado. Tipo, funeral... enterrado... underground... éin? éin? Sacou? Esse fraco por trocadilhos ainda vai ser a minha ruína. Hehe.

End Credits:
Ghost of Perdition”, Opeth. Justamente uma das poucas músicas com trechos mais déti metal do Opeth resolve tocar nos meus créditos finais. O que isso significa? Metal nos créditos, pra deixar nego bolado? Não, provavelmente significa que os direitos para a continuação já foram vendidos! Basta só contratarem algum incompetente para escrever um roteiro onde eu retorne como espírito da vingança ou spawn, a cria do inferno!! Sim, é claro! Tudo se encaixa, ó céus.

Então, o balanço final é estranho. De acordo com a minha interpretação da trilha sonora desse filme-vida, me apaixono por uma cambojana, tomo uma bela duma chifrada, termino com a vadiranha, faço regressão não-alcoólica despertando episódios homossexuais da minha tenra infância e, por fim, me caso com uma russa, meu velho amor dos tempos de KGB. Para completar a odisséia, sou pai do anticristo e morro lutando contra uma horda de ninjas-demônios. Garanto que se me deixassem desenvolver mais um pouco, eu encaixaria os zumbis e a a nave com as ogivas nucleares, mas falta-me paciência. Hehe.

Obrigado, ó caprichoso oráculo dos audio players.

Agora, duvido que você, que conseguiu ler essa baboseira até o final, não vá fazer a mesma coisa. HAHAHA.

(np: precisa mesmo?)


Sexta-feira, Março 23, 2007

Tolkien e um jovem mancebo nerd

O último post (sobre a 'literatura' de fantasia farofa/comercial) me fez pensar um pouco sobre Tolkien, em especial nos dois ‘olhares’ diferentes que eu tive do Senhor dos Anéis.

Eu explico. Li o livro pela primeira vez com 11 ou 12 anos, aquele jovem Pedrinho ainda era um leigo mancebo nos mistérios nerds; fã da Espada Selvagem de Conan, dos X-Men clássicos de Chris Claremont, dos livros-jogos Aventuras Fantásticas e, obviamente, de RPGs em sua concepção básica e primordial: matar monstros e roubar as coisas deles.

O que o espinhento guri assexuado esperava em um livro que era considerado a bíblia da literatura de fantasia? Vamos lá, vou enumerar:

1) Tal qual Conan, era imperativo haver pelo menos um personagem sinistro, que encarasse geral no braço e ainda passasse o rodo na mulherada. O que o guri encontrou? Frodo e Sam. Embora ingênuo, o jovem rapazote sabia identificar viadagem quando ela se apresentava de modo tão escancarado.

2) Como um fã hardcore dos X-Men, aquele crédulo garoto esperava uma trama insanamente complicada, com zilhões de personagens aleatórios, mortes apocalípticas (ok, checked), clima barrados no baile e pegação (veja bem, não entre indivíduos do mesmo sexo, e, por favor, nem entre indivíduos de raças diferentes, porque Legolas e Gimli não contam!). E, por fim, mas mais importante do que todo o resto, o Wolverine. Sim, para o jovem Pedro gostar era imprescindível que tivesse o Wolverine.

3) Os nerds mais seminais irão se lembrar eternamente dos livros-jogos Aventuras Fantásticas, afinal, eles sintetizavam perfeitamente o conceito primordial do RPG: matar monstros e roubar suas coisas. Ao ler um grande épico de fantasia, eu quero que o grupo de heróis mate monstros e roube suas coisas! Por mais nobre que seja a sua missão – jogar um anel em um buraco grande e fumegante – todo herói deveria ter tempo para uma prosaica matança seguida de uma descontraída pilhagem. Se eu criasse os cânones da literatura de fantasia farofa, isso estaria entre os mandamentos.

4) E, finalmente, porrada com o boss. Tipo, era necessário que existisse um chefão do mal e que no fim os heróis se juntassem pra embotar de cacete o tal final boss. Parecia ilógico ao infante Pedro que aquele grupo de heróis não fosse juntar de pancada no Sauron. Ou pelo menos nos Nazgul, em um combate eletrizante e caótico, tipo X-Men vs Irmandade dos Mutantes, e ainda desenhado pelo Dave Cockrum.

Sim, o infante Pedrinho se decepcionou com o livro.

Mas o infante Pedrinho cresceu. Conheceu Sandman e os contos de Robert E. Howard (criador do Conan), é fã dos X-Men do Grant Morrison, leu algo de literatura não-nerd (o que minha porção intelectual detesta admitir que é necessário) e, o que é um alívio, não teve nenhum distúrbio sexual advindo das relações doentias entre Legolas e Gimli (até então, pelo menos).

O Pedro adulto (e esse sou eu) leu a trilogia novamente, com uns 20 e poucos anos, e a recomendaria para qualquer um. Quando você é um pivete, babando no decote fisicamente improvável da Jean Grey, não está exatamente apto a usufruir completamente de certas sutilezas. Por exemplo, como entender a relação entre o Frodo e o Sam, sendo um pré-adolescente mongol que se diverte desenhando pirus nas cadeiras dos colegas? Ou como entender que não poderia haver melhor solução para o combate entre Gandalf e Balrog, se você está acostumado ao exagero narrativo do cinema-farofa e das HQs da Marvel?

Eu ainda me divirto (seriamente, admito) com a high fantasy de A Song of Ice and Fire e outros genéricos enfarofados de Tolkien, mas tenho discernimento suficiente pra saber que não dá pra botar na mesma sacola que O Senhor dos Anéis, é inviável comparar.

Por isso, recomendo que leiam A Song of Ice and Fire (ver post anterior para mais detalhes) e se divirtam, e não deixem de ler O Senhor dos Anéis. Mas, se me perguntam o que vale a pena reler e reler (e reler), fique com Tolkien e o anel no buraco fumegante.

De qualquer maneira, até hoje a minha única ressalva ainda é a ausência do Wolverine.


/me imaginando o Wolverine (com o uniforme marrom, claro) retalhando aqueles Nazguls safados em tirinhas, tudo desenhado pelo Dave Cockrum, naturalmente.

(np: Porcupine Tree - Pure Narcotic)



Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Fried flour fantasy: ASOIAF

Vou aproveitar meu providencial (e, espera-se, passageiro) período de ócio para tecer alguns comentários sobre a parada mais foda com a qual eu entrei em contato nos últimos tempos. Não, não é a insossa terceira temporada de Lost (e poderia ser Heroes, mas vou guardar pra próxima). È uma série de livros de fantasia-farofa chamada A Song of Ice and Fire (ASOIAF, para os nerds íntimos).

O mais interessante da maldita série (digo maldita porque essa porcaria é extremamente viciante, praticamente um World of Warcraft em 7 livros) é que ela ignora sem rodeios todos os “cânones” da literatura de fantasia farofa.

Antes de continuar, vamos definir “literatura de fantasia farofa”. São todas aquelas séries (que variam entre inúmeras trilogias até intermináveis seqüências) que copiam Tolkien descaradamente, adaptando o estilo de prosa para algo mais palatável. Tipo o que o ser humano comum é capaz de ler no ônibus ou no metrô. Cá pra nós, Tolkien tem seus momentos de chatice insuportável, quando o desgraçado passa horas descrevendo as planícies de sei-que-lá. Então, na literatura de fantasia-farofa não tem planícies, tem hecatombes nucleares de magia, dragões de múltiplas cabeças surgindo da dimensão infernal dos submundos e orcs, muitos orcs (mesmo que com outros nomes, tipo draconianos ou trollocs).

Os americanos chamam as séries nesse estilo de “high fantasy”. Nome bem presunçoso, mas que soa melhor que fried flour fantasy. (Tá, forcei a barra nessa. hehehe).

E sim, a literatura de fantasia farofa tem cânones. A maioria deles é copiado de Tolkien, que provavelmente se inspirou em outras fontes. Se eu fosse um cara culto, ia saber citar algo sobre a tradição de canções do trovadorismo e das epopéias do classicismo dos caralhos (as fontes do tio Tolkien, certamente), mas eu não sou, então paramos nas referências por aí.

Bom, agora vamos aos tais cânones e ao que o senhor George R. R. Martin faz com eles (ah, o cara também é escritor de HQs, algum nerd aí se lembra do Universo Carta Selvagem? Pois é):

1) Era uma vez o maniqueísmo clássico de todos os livros do gênero. Não tem Sauron, Dark One, Takhisis ou Voldermort. Os caras maus são maus pra caralho, mas não são “a encarnação do mal sobre a Terra”. Não que a encarnação do mal sobre a terra não exista, ela tem que existir (e vai dar as caras em algum momento da série). Mas os vilões de ASOIAF juntariam de porrada no Voldermort e colocariam ele pra correr fácil fácil.

2) Os personagens fazem sexo. Sim, isso seria impensável para o pobre Tolkien, por exemplo, onde todos os personagens femininos são damas etéreas idealizadas que – se não se vestem de homem – mal fazem parte da trama, apenas dos apêndices e olhe lá. No ASOIAF os personagens fazem sexo e inclusive falam e fazem piada sobre o assunto, com direto a palavras de baixo calão (tsc, tsc).

3) As coisas não demoram 10 livros pra acontecer. Bom, toda série de fantasia farofa deve obrigatoriamente (e esse é um cânone inabalável) caminhar para uma batalha final. Ou a batalha final com os vilões malditos ou uma guerra hecatômbica, o que importa é que você sabe que isso vai acontecer desde o terceiro capítulo, mas a história se arrasta, complicando-se cada vez mais, e nada do esperado clímax. Uma coisa que enerva muitos leitores é justamente o espaço entre “esses são os personagens e eles têm um problema” e “aqueles personagens lá do começo vão matar o cara escroto”, que costuma ser preenchido com páginas e páginas de encheção de lingüiça. No caso do ASOIAF, a parte sangrenta que você está esperando começa logo. Não é “a” parte sangrenta que concluirá o livro, mas é sangrento. E os mistérios que surgem no começo do livro são resolvidos mais rápido do que você imagina. Novos mistérios surgem e a história se complica bizarramente do mesmo jeito. Bom, se não fosse assim não seria fantasia farofa. Seria literatura - irc.

4) A relação do autor George R. R. Martin com seus personagens coadjuvantes é genial. Todos são bucha de canhão. Nem há por que se estressar em decorar nomes, todos vão morrer (isso não é spoiler, é uma estimativa minha, que li apenas três livros da série por enquanto). Alguns dos personagens principais morrem também, mas não seja tão preguiçoso e pelo menos decore o nome deles.

Bom, o autor promete SETE malditos livros. Nada demais, Wheel of Time terá DOZE (eu desisti no livro 10, faltando tão pouco...) e Dragonlance tem inúmeras trilogias, por exemplo. A grande questão é se a série vai virar mais um caça níquel ridículo. Sempre existe potencial para se estender uma história por mais algumas dezenas de livros, o preço é que invariavelmente ela fica um pé no saco.

Eu pensava que acompanharia Wheel of Time mesmo se a série chegasse aos 20 livros, mas percebi que até a minha nerdice tem limites. Espero que os sete volumes de ASOIAF sejam MESMO sete, dessa vez minha paciência não vai durar mais do que isso.

Anyway, pelo menos os personagens fazem sexo.

(np: Bloc Party, Hunting for Witches - esse riffizinho safado nem é rip-off de Sweet Dreams...)